segunda-feira, 3 de outubro de 2011

21/10/2008


Na ordem crescente de preferência, salvo o último que chegará por ser o mais recente.

VOO NO VÁCUO

Espirrou tantas vezes, logo após o acordar, como o costume ordenava. Seguiram-se momentos de incômodo nasal, e despertou. Veja bem, por mais que essa informação pareça descartável ou desagradável, não é assim que as coisas vão e vêm. Espirrar por si só pode ser tudo, nada, alguma coisa.

Há quem só acorde, e há quem acorde e só espirre. Essas pessoas não despertam, não. Ficam na água quente, esperando que a venha morna ou fria, sem tempo, sem noção.

"Mas que merda de espirro. Quem dera que você não mais espirrasse assim".

De imediato balançou a cabeça como quem diz "não". Não.

Tomou o café e foi para o trabalho. Não há o que dizer. Até porque se fosse perguntado sobre o dia, a resposta seria vazia – não nula, mas vazia.

Depois de um tempo indizível, a epopéia vital de uma mosca, ou sabe-lá-quantas mitoses, chegou em casa.

De repente, um som fora de tom. Um gosto... mas é água! "Fiz um lanchinho pra você". Que doce, que verdadeiramente doce!

Contam por aí que o dia tem vinte e quatro horas. Perdão. Duas dúzias? Mentira sem-vergonha! O dia começa quando se dá por gente, passa uma mosca, geralmente, e volta à noite. É uma pena, mas muitas vezes o dia foge do sol, ou quem sabe foge-se de favor ao astro.


Ao deitar-se, beijou com carinho, como quem diz: Calma! Toda essa parte passa. E antes que nós, por vez, passemos, vamos estar juntos!
Puxou o cobertor e espir-rou.

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