Estou surpreso como não poderia deixar de estar. Mudei na mudança.
Estou indo tão mais longe agora
Do que quando quis longe
Acho que tem que ser compulsória
Não pode ser escolha
Não pode ser tão livre
A liberdade carrega uma certa leviandade
De quem faz por prazer
Tem que ser um pouco sofrido
No mínimo um pouco
E tem que ser em conjunto
Não se faz drama sozinho: drama se faz a dois.
Mesmo que seja pra deixar de ser.
E no que mudei?
Em mim, nos meus olhos, no meu respirar, nas lágrimas, nas palavras.
Estou em algum tipo de comunhão ingrata que não quer deixar de ser, e se alimenta do nada.
Precisa do nada: se for preenchido, acaba.
Se tenho escrito?
Não, só falado.
E lido.
E chorado, dançado.
Parece que tô dançando o tempo todo: tentando seguir
um ritmo.
Hoje eu tava de um jeito.
Até que resolvi botar uma música alta
Lembrei sabe, da C., que diz que põe música e dança
no quarto. Só no quarto? Na vida.
Não era isso, mas eu lembrei da C.
Coloquei uma música
deitei na cama e fui me esticando,
ou contorcendo.
De repente tive vontade de chorar
e comecei a chorar, não tem mistério.
A música guiava meus movimentos
me encolhendo ou tentando expulsar
Deixando respirar e depois
atacando.
Acho que cheguei num nível de profundidade que tudo
me provoca de uma forma inimaginável
você imagina? eu não consigo ter
raiva, não consigo ter dó.
Eu passei, passei com tudo
que poderia levar do que já não
é.
E não é
nem fingimento.
E o que me resta, ... É
E o que me resta, ... É
engraçado, porque de verdade, o que me resta é
. Tudo