terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Relógio
Era como um uniforme: a camisa pesada, o sapato desconfortável, a calça, e a mesma cabeça de ontem. Olhando no espelho, sentiu que se tirassem o corpo, a roupa ficaria ali em pé sozinha, encarando seu reflexo. E quando saiu andando, foi a roupa que fez força: o corpo apenas aceitou. O corpo já havia sido prometido à roupa. Era casamento arranjado.
Buscou um toque de vaidade, procurando com um olhar morno, de quem sabe - não é fato, mas sabe - que o ontem se projeta no hoje. A mão, se demorou, não foi por fraquejar, mas desviar. Era o pulso livre, que não condiz com o matrimônio celebrado. Faltava. Quando soube, a mão foi certeira. Pontualidade calculada. Nem mais nem menos. Agora era ele, de relógio. Ele e O Que Ele Deve Ser: até que a morte os separe.
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